Licenciada em Computação. Quando escreveu este guia, dava aula de Lógica e Linguagem de Programação e de Banco de Dados na Educação Profissional da rede estadual e pesquisava no grupo Onda Digital, da UFBA. Já foi professora de Informática Educacional no Ensino Fundamental e na EJA.
De onde veio a ideia
Algumas partes do currículo parecem pedir só memorização: identificar a escola literária, o tempo verbal, a classe de uma espécie ou explicar por que um número é primo ou par. Nesses conteúdos, as metodologias ativas parecem não encaixar.
Uso o reconhecimento de padrões, uma das habilidades do raciocínio computacional, para trabalhar esses conteúdos. O raciocínio computacional tem a ver com a forma de organizar as ideias, e não precisa de computador.
Por que o raciocínio computacional funciona
A pesquisadora Jeannette Wing divide o raciocínio computacional em quatro habilidades: decompor um problema em partes menores, reconhecer padrões, abstrair o que importa e descrever a solução passo a passo.
Numa aula tradicional, o professor entrega o caminho pronto. Aqui, os alunos reconhecem os padrões por conta própria e tiram as próprias conclusões, e o professor media com perguntas. Assim, eles aprendem o conteúdo e também a forma como aprendem.
Passo a passo
- 1Defina o objetivo
Retome o objetivo da aula e tenha claro onde os alunos precisam chegar.
- 2Explique como vai funcionar
Conte à turma como a atividade vai funcionar, sem entrar em teoria, para os alunos enxergarem o fim do desafio.
- 3Passe a bola para os alunos
Faça a pergunta que você quer que eles respondam, como "o que classifica um governo autoritário?" ou "como eu sei se um número é par ou ímpar?". Os alunos anotam as ideias no papel, num mapa mental ou na lousa.
- 4Instigue a discussão
Quando a reflexão empacar, faça perguntas e apontamentos para a discussão seguir.
- 5Abstraia e encontre o padrão
Guie a turma até os pontos principais que classificam o tema. Nas minhas aulas de lógica de programação, os alunos respondem "vai de dois em dois" ou "dá pra dividir por 2", até concluírem que um número é par quando dividido por 2 dá resto 0.
“Instigar leva um pouquinho mais de tempo, mas você percebe a diferença no aprendizado dos alunos.”
Dicas para aplicar
A atividade é simples de fazer e serve para qualquer matéria e qualquer ano. Como os alunos aprendem a classificar as coisas por conta própria, o trabalho ajuda também nas aulas de outros colegas da escola.
Quanto mais complexa a classificação, mais desafiadora a pergunta fica, e maior o significado quando a turma chega à conclusão.
Referências
WING, Jeannette M. Computational Thinking. Communications of the ACM, 2006. Tradução: Pensamento computacional. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, UTFPR.
Guia de Profa. Claudia Coutinho. Edição da equipe Práticas Educacionais. Uso livre e gratuito, com crédito à autoria.